#11 – Mano Melo

Trechos e poemas completos na ordem que aparecem no vídeo:

MADONNA
Mano Melo

O Repórter Isso informa em edição extraordinária
No mais completo furo de reportagem
Na mais absoluta primeira mão
Com quem Madonna dormiu
Quando esteve no Brasil?

Tchán tchán tchán tchán

Em verdade em verdade vos digo:
Foi comigo! Foi comigo!

(confira poema completo em: http://pensador.uol.com.br/frase/OTg5MjEx/)

 

MESTIÇO
Allan Dias Castro

Todo brasileiro nato
Todo brasileiro puro
Tem um lado misturado
E outro que é mais escuro

 

CLARESCURO
Mano Melo

Meu nome é Clarescuro
Sou deus pecador
E diabo puro

 

ZÉ NINGUÉM
Allan Dias Castro

Eu já usei gravata, e até topete
Joguei fora meu trompete e os discos do Alceu (that`s over baby)
Eu já ganhei emprego e perdi o sono
Correndo atrás de um sonho que não era meu

Mas hoje eu larguei tudo e virei poeta
Eu não quero ser atleta, nem médico ou juiz
Eu moro numa ilha e to me acostumando
Pra quem nasceu chorando, até que eu tô feliz

Pra mim não faz diferença ser alguém na vida
Porque o meu nome é Zé Ninguém
Eu prefiro fazer diferença na vida de alguém

POESIA-TOTEM
Mano Melo

Poesia é nosso totem
Único Deus vivo que nos restou do Olimpo
Tá limpo! E amém!

 

FÉ CEGA
Allan dias castro

A pior fé cega
É aquela que não querem que você veja
Que a luz que eles te vendem
Vem do ouro, no teto da igreja

A IGREJA NO SILÊNCIO
Mano melo

Na sala ao lado latem o latim
Desumanas Romas  plantam para mim
Jardim de redoma

 

SUI GENERIS
Mano Melo

Este é um país sui generis.
As putas gozam
Os cafifas se apaixonam
Os valentões apanham
Os ministros cantam e
As ministras dão.
Os machões também.
Os ladrões prendem
A polícia assalta
Os patrões fazem greve
Os ateus rezam
Os padres praguejam
Os catedráticos não lêem
Os analfabetos escrevem
Os banqueiros choram
Os mendigos dão esmola
Os gatos latem
Os cachorros miam
Os peixes se afogam
As frutas mordem
As formigas dão leite
As vacas põem ovos
As galinhas têm dentes

Então,
Quer parar
De me cobrar
Coerência
Pô!

 

Com sua poesia, Mano Melo já se apresentou do Rio Grande do Sul à Amazônia.
Tem formação de ator pelo Conservatório Nacional de Teatro e estudou filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Publicou OITO livros de poesia e um romance, Viagens e Amores de Scaramouche Araújo. Ator, participou de vários filmes, peças de teatro, novelas e comerciais.

Seu poema Madonna, que faz parte do espetáculo O Lavrador de Palavras, foi adaptado e musicado por Ana Carolina, e está no CD da cantora, de título Dois Quartos.

No momento, apresenta seu stand up poetry, no show Mano a Mano.

Em 2011, ganhou o PREMIO QUEM, melhor escritor, por seu livro Poemas do Amor Eterno, lançado em 2011, em escolha de jurados e votação direta via Internet, pelos leitores da revista Quem.

Mano Melo é Shakespeare com pimenta sonora – CHICO CARUSO – cartunista, jornalista


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